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O que perguntar ao médico nas consultas de rotina dos seus pais

Uma lista prática de perguntas para levar à próxima consulta — e como guardar essa informação de forma útil para toda a família.

3 de abril de 2026·5 min de leitura

A consulta médica dura em média 15 minutos. É pouco tempo para cobrir tudo o que importa — especialmente quando há vários problemas, vários medicamentos e uma pessoa que pode sentir-se intimidada ou esquecer o que queria dizer.

Ir preparado faz uma diferença enorme. Este guia foi pensado para filhos e netos que acompanham os pais às consultas — ou que querem ajudá-los a ir mais preparados quando vão sozinhos.

Antes da consulta: o que preparar

A lista de medicamentos atualizada

Antes de qualquer consulta, vale a pena fazer uma lista completa de tudo o que está a ser tomado — incluindo suplementos, vitaminas e medicamentos de venda livre. Muitas interações medicamentosas acontecem precisamente com coisas que "não parecem medicamentos".

A lista deve incluir: nome do medicamento, dose, frequência, e para que foi prescrito. Uma foto das caixas também funciona.

Os sintomas por escrito

Parece básico, mas faz diferença enorme. Escrever os sintomas antes da consulta — quando começaram, com que frequência acontecem, o que os piora ou melhora — ajuda a não esquecer nada no momento em que o médico pergunta "então, como tem estado?"

As perguntas essenciais para levar à consulta

Sobre o estado geral de saúde

  • O que é que os resultados dos últimos exames indicam?
  • Há alguma preocupação que devo monitorizar até à próxima consulta?
  • Quando devo fazer os próximos exames de rotina?
  • Há alguma vacina em atraso?

Sobre a medicação

  • Todos estes medicamentos continuam a fazer sentido?
  • Há algum que possa ser reduzido ou eliminado?
  • Estes medicamentos interagem entre si de alguma forma?
  • Devo evitar algum alimento ou bebida com esta medicação?
  • O que devo fazer se me esquecer de uma dose?

Sobre sintomas novos ou que persistem

  • Este sintoma é esperado, ou merece investigação?
  • A que sinais devo estar atento em casa?
  • Quando é que este sintoma se torna urgente?

Sobre quedas e mobilidade

As quedas são uma das principais causas de hospitalização em pessoas com mais de 70 anos — e muitas são preveníveis. Não espere que o médico pergunte.

  • Houve alguma queda ou quase-queda desde a última consulta?
  • Há algum medicamento que aumente o risco de queda?
  • Devemos considerar fisioterapia ou exercício adaptado?

Sobre saúde mental e bem-estar

A saúde mental muitas vezes não é mencionada na consulta — seja por vergonha, por não parecer "urgente", ou simplesmente porque o tempo não chega. Vale trazer à conversa diretamente.

  • O humor e o sono estão bem?
  • Há sinais de ansiedade ou tristeza persistente?
  • A memória e a concentração parecem adequadas para a idade?
Dica prática: se a pessoa vai sozinha à consulta, peça que grave a chamada ou os pontos principais num caderno no momento. A informação médica é difícil de reter quando há stress ou quando há muito para absorver de uma vez.

Como guardar e partilhar a informação da consulta

Criar um dossiê de saúde simples

Não precisa de ser nada complexo: uma pasta (física ou digital) com os últimos resultados de análises, as cartas de alta, a lista de medicamentos e os contactos dos médicos. Quando acontece uma urgência, ter tudo acessível num só lugar poupa tempo e evita erros.

Partilhar com a família

Se há vários familiares envolvidos no acompanhamento, vale a pena ter um lugar comum onde a informação é guardada e atualizada. Uma pasta partilhada na cloud, um grupo de WhatsApp com as informações importantes, ou uma nota partilhada no telemóvel fazem o trabalho.

Registar as próximas consultas

Parece óbvio, mas muitas consultas são desmarcadas ou esquecidas. Ao sair do consultório, confirme imediatamente a data da próxima consulta e coloque no calendário — tanto no da pessoa como no do familiar que acompanha.

Quando ir à consulta com a pessoa

Sempre que possível e desejado, ir à consulta em conjunto tem vantagens claras: é mais fácil fazer perguntas, garantir que a informação foi compreendida e tomar nota do que o médico disse. Mas é importante ir como apoio — não como substituto da voz da pessoa.

Deixe que seja ela a responder às perguntas do médico. Intervenha apenas para complementar ou esclarecer. A autonomia na relação com o médico é importante para a dignidade e para a saúde.

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