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As burlas mais comuns em Portugal — e como proteger a sua família

SMS falsos do banco, o 'filho em apuros', o técnico de informática — conheça os esquemas mais frequentes e os sinais que os denunciam antes de ser tarde.

4 de abril de 2026·7 min de leitura

Em 2023, a Polícia Judiciária registou um aumento de 40% nas queixas relacionadas com burlas online em Portugal. A maioria das vítimas tem mais de 60 anos — não porque sejam menos inteligentes, mas porque são o alvo preferido de esquemas desenhados especificamente para enganar quem confia mais nos outros.

Conhecer as burlas mais comuns é a primeira linha de defesa. Este guia foi escrito para filhos e netos que querem proteger os pais — e para quem quer reconhecer um esquema antes de ser tarde.

Porquê as burlas funcionam

As burlas não funcionam por falta de inteligência. Funcionam porque exploram emoções universais: o medo de perder algo, o desejo de ajudar a família, a confiança em figuras de autoridade. Um burlão experiente consegue criar uma situação de urgência tão convincente que qualquer pessoa, independentemente da idade ou educação, pode ceder.

A diferença é que as pessoas mais velhas cresceram numa época em que se confiava mais — no carteiro, no banco, na autoridade. Essa confiança, que é uma qualidade, é explorada como vulnerabilidade.

As burlas mais comuns em Portugal

1. O "filho em apuros"

Uma das mais devastadoras emocionalmente. A pessoa recebe uma chamada de alguém que se faz passar pelo filho ou neto — ou por um advogado ou polícia que representa esse familiar — a dizer que está em apuros: um acidente, uma detenção, uma dívida urgente. Precisa de dinheiro imediatamente e pede segredo para não preocupar o resto da família.

O esquema funciona porque a urgência e o medo bloqueiam o pensamento crítico. A solução é simples: antes de fazer seja o que for, desligar e ligar diretamente ao filho ou neto pelo número que já existe no telemóvel.

2. SMS do banco ou da AT

Uma mensagem que parece vir do banco, da Autoridade Tributária, da EDP ou dos CTT a dizer que há um problema urgente na conta, uma encomenda retida, ou um reembolso a receber. A mensagem tem um link. O link leva a um site falso, idêntico ao original, que pede as credenciais bancárias.

O sinal de alerta mais fiável: nenhuma instituição legítima pede dados bancários por SMS ou email. Se houver dúvida, ligar para o número oficial da instituição — nunca para o número que aparece na mensagem.

3. O prémio que nunca se concorreu

"Parabéns, foi selecionado para receber um prémio de 5.000€." Para receber, basta pagar uma pequena taxa de processamento, ou fornecer os dados bancários para a transferência. O prémio nunca existe — a taxa desaparece, e os dados são usados para fraude.

Regra de ouro: não existe prémio legítimo que exija pagamento prévio para ser recebido.

4. O técnico de informática

Uma chamada de alguém que se apresenta como técnico da Microsoft, da NOS, ou de outra empresa de tecnologia a dizer que o computador tem um vírus grave. Para resolver, pedem acesso remoto ao computador. Com esse acesso, instalam malware, acedem a dados bancários ou cobram serviços que nunca foram prestados.

A Microsoft e outras grandes empresas nunca telefonam de forma não solicitada sobre problemas no computador.

5. A oferta de investimento milagrosa

Uma proposta de investimento com retornos garantidos e muito acima do mercado — criptomoedas, ouro, imobiliário estrangeiro. Começa com valores pequenos que "rendem" bem (o burlão devolve o dinheiro inicial para criar confiança) e depois incentiva a investir valores maiores que desaparecem.

6. O WhatsApp do "filho" com número novo

Uma mensagem de WhatsApp de um número desconhecido: "Mãe/Pai, é o [nome do filho], mudei de número. Precisava de um favor urgente..." O burlão sabe o nome do familiar porque obteve essa informação nas redes sociais ou noutras fontes públicas.

Antes de responder a qualquer pedido vindo de um número novo, verificar sempre por outro canal — ligar para o número antigo, ou perguntar algo que só o filho verdadeiro saberia.

Como o Dovi ajuda: o Dovi pode analisar mensagens suspeitas — basta mostrar o SMS ou a mensagem do WhatsApp e perguntar "isto é uma burla?". O Dovi avalia e explica em linguagem simples o que está a ver, antes de a pessoa agir.

Os sinais de alerta universais

  • Urgência extrema — "tem de decidir agora, não há tempo"
  • Pedido de segredo — "não diga a ninguém da família"
  • Pedido de pagamento em formas incomuns — MB Way, transferência para conta desconhecida, vales de presente
  • Pressão para não verificar a informação
  • Promessas demasiado boas para ser verdade
  • Erros de português ou linguagem estranha na mensagem

O que fazer se suspeitar de uma burla

  • Não agir imediatamente — a urgência é fabricada
  • Desligar a chamada ou fechar a mensagem
  • Contactar um familiar de confiança antes de qualquer passo
  • Ligar para a linha de apoio à vítima: 116 006 (gratuita)
  • Apresentar queixa na PSP, GNR ou através do portal queixaseletronicas.mai.gov.pt

Como falar com os pais sobre este tema

A conversa sobre burlas pode ser delicada — ninguém quer sentir que o tratam como ingénuo. A abordagem mais eficaz não é avisar de cima para baixo, mas partilhar casos concretos: "leste aquela notícia sobre o esquema do banco? Aconteceu a muita gente inteligente..."

Criar um código familiar também ajuda: uma palavra ou pergunta de verificação que só a família conhece, para confirmar que uma chamada de urgência é genuína. Simples, mas pode fazer toda a diferença.

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